Banco Mundial atualizou os dados referentes à população brasileira abaixo da linha de pobreza para o ano de 2020.



Em contraste com o resto da América Latina e do Caribe, a taxa de pobreza do Brasil diminuiu entre 2019 e 2020, de 20,6% para 13,1%. O Auxílio Emergencial (AE), programa de transferência de renda lançado em abril de 2020, foi o principal impulsionador dessa queda. 



O benefício contemplou mais de 67 milhões de pessoas e o montante transferido foi mais do que suficiente para compensar as perdas econômicas das famílias na porção inferior da distribuição da renda. No entanto, as estimativas de insegurança alimentar (IA) mostraram uma tendência oposta: insegurança grave e moderada aumentaram em 2020. 


Esse aparente paradoxo pode ser explicado principalmente pela maneira como a pobreza e a IA são mensuradas: As estimativas de pobreza são baseadas em medidas de renda anualizadas, enquanto as de IA são baseadas na ocorrência de um evento, em que a perda repentina e não compensada de um emprego ou redução de benefícios (como do AE) pode se transformar na perda da capacidade de um domicílio obter alimentos no curto prazo. 


Em 2021, tanto a pobreza quanto a IA podem ter aumentado. Simulações sugerem que a pobreza tenha subido em 2021, chegando a 18,7%. Enquanto isso, cerca de 18% das famílias - entrevistadas em pesquisa feita no 3º trimestre de 2021 - relataram ter ficado sem comida devido à falta de recursos por pelo menos uma vez durante o mês que antecedeu a entrevista, o dobro da taxa pré-pandemia. A inflação de alimentos, a queda dos salários reais e a redução significativa do programa de AE são fatores afetando essa tendência. 


A guerra na Ucrânia elevou as expectativas inflacionárias. Dado o crescimento projetado de 0,7% do produto interno bruto (PIB) para 2022, não se espera que os rendimentos do trabalho sejam capazes de impulsionar os níveis de consumo das famílias. Soma-se a isso a eliminação completa do AE, fatores que podem fazer pobreza e IA se deteriorarem ainda mais em 2022.
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